Nestes depoimentos, um pouquinho dos primeiros contatos que tivemos com a leitura e a escrita na infância. Ao lê-los, certamente, você será reportado àquele arquivo onde estão guardadas suas lembranças dos tempos de escola, ou mesmo antes, quando a magia da leitura começou a fazer parte de sua vida.
Experimente!
História e memória...
Minhas
primeiras experiências com a leitura deram-se muito cedo, com minha mãe, mulher
simples, do campo, sem muito estudo, mas que sempre foi grande leitora.
Influência de seu pai, talvez, que também lia muito. E foram eles, minha mãe e
meu avô Luis, que me introduziram nesse mundo mágico da leitura. Ela, lendo
para os filhos, os livros que, com sacrifício, comprava à prestação e meu avô,
que me contava histórias de sua infância, misturadas com as histórias de guerra
e sofrimento por que sua família havia passado. Só muito tempo depois, já
adulta, descobri que ele misturava realidade e ficção. Algumas de suas
histórias deixavam-me triste, perplexa, pensativa; outras, alegre, curiosa e
que me davam asas à imaginação. Contava os dias para que chegasse logo o domingo
para ir a casa dele ouvir novas histórias. Ele era muito bravo. Éramos muitos
os netos, mas só eu tinha “coragem” de ficar ali ao lado dele. Enquanto os
outros brincavam na rua, eu ficava ali, pertinho do meu avô, pois minha
brincadeira favorita era ouvir as histórias que ele tinha para me contar. Eu
acho que ele gostava de brincar de “contar histórias” e sem perceber, eu e ele,
descobrimos que gostávamos da mesma brincadeira. Depois de alfabetizada, ele
comprava para mim os gibis do Tio Patinhas e do Pato Donald, líamos juntos e
conversávamos sobre as histórias. Era muito bom!
Com a escrita, a experiência não foi muito boa. Eu era canhota e fui obrigada a escrever com a mão direita. Puro sofrimento. Demorei para aprender a escrever, mas adorava desenhar e, por isso, levava muita bronca da professora. Hoje, sei que o desenho era uma fuga. Não me tornei desenhista, mas sou muito exigente comigo quando o assunto é escrever.
Lembro-me das aulas de redação no "primário", mais especificamente de "composição". Era assim que a professora escrevia na lousa: Composição - Descreva o que vê na figura.
Eu descrevia as imagens, as cores, as quantidades, os nomes das coisas que apareciam, enfim, tudo o que via. Nunca tirei 100 nas minhas "composições". Também nunca soube o porquê, pois tinha medo de perguntar. E, ainda, tem gente que diz que antigamente era melhor...
Com a escrita, a experiência não foi muito boa. Eu era canhota e fui obrigada a escrever com a mão direita. Puro sofrimento. Demorei para aprender a escrever, mas adorava desenhar e, por isso, levava muita bronca da professora. Hoje, sei que o desenho era uma fuga. Não me tornei desenhista, mas sou muito exigente comigo quando o assunto é escrever.
Lembro-me das aulas de redação no "primário", mais especificamente de "composição". Era assim que a professora escrevia na lousa: Composição - Descreva o que vê na figura.
Eu descrevia as imagens, as cores, as quantidades, os nomes das coisas que apareciam, enfim, tudo o que via. Nunca tirei 100 nas minhas "composições". Também nunca soube o porquê, pois tinha medo de perguntar. E, ainda, tem gente que diz que antigamente era melhor...
Luzia
Salmaso
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Que bom poder relembrar o passado!
Meu primeiro dia de aula... Recordo-me como se
fosse hoje! Confesso que chorei, pois não queria me separar da minha mãe. Foi
difícil a adaptação, mas depois tudo fluiu muito bem, amizades, uma professora dedicada
e amorosa. A cartilha “Caminho Suave” fez parte da minha vida e acredito que
também de muitos colegas. Cadernos de caligrafia, lições de casa, horas de
estudo com minha mãe ao lado e a alfabetização aconteceu e abriu portas para um
mundo novo e encantador. Tantos são os livros que fizeram parte da minha
infância e início da minha adolescência, dentre esses um que me marcou foi “A
ilha perdida”. Entrei naquele mundo, viajei com as crianças, conheci a ilha e
me sentia parte daquele mundo.
Era maravilhoso! Passei a gostar de ler a partir
dali. É claro que li vários outros: “Menino de Asas”, “O feijão e o sonho”, “O
Escaravelho do Diabo”. Sempre que surgia uma oportunidade dada pela professora
de Português, montávamos grupos para representar as partes que mais gostávamos
das histórias e adaptá-las ao teatro, adequando roupas, ambientes; não tínhamos
ideia da importância disso no desenvolvimento da produção de textos.
Aprendíamos e desenvolvíamos a leitura, produção, oralidade, espírito crítico e
de grupo. Gostava tanto de tudo que passei a participar das comemorações
cívicas que tinha na escola, lia poesias, representava em festas da escola para
a comunidade. Tudo fez mudar o meu jeito de ser, pois era muito tímida. Foi um
período marcante em minha vida, pois tudo que aprendi me levou a ser uma
professora de Português, a partir do exemplo de professora que tive, com a sua competência
em construir leitores competentes.
Lucileila Bilharvas Poletto Gonçalves
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Olá! Lendo esses depoimentos também relembrei a minha adolescência, as minhas primeiras leituras...
Meus pais sempre foram
leitores. Era comum vê-los saboreando livros e revistas. Assim, também segui o
bom exemplo. Queria entender, descobrir o que estava escrito nas páginas
coloridas das revistas que “passeavam” pela casa. Fui para escola com seis anos,
lembro-me que a biblioteca tinha o cheirinho dos livros velhos e novos. O livro
inesquecível foi “Maria-vai-com-as-outras”, Sylvia Orthof.
Já na adolescência fui levada por uma amiga a conhecer e amar “Feliz ano velho”, de Marcelo Rubens Paiva e “O mundo de Sofia”, de Jostin Gaarder, que desencadeou novamente a mesma paixão pela leitura que não quero me distanciar jamais.
Já na adolescência fui levada por uma amiga a conhecer e amar “Feliz ano velho”, de Marcelo Rubens Paiva e “O mundo de Sofia”, de Jostin Gaarder, que desencadeou novamente a mesma paixão pela leitura que não quero me distanciar jamais.
Maria Santina Cangussu
Sorge Leite
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Quando adolescente li
dois livros que nunca esqueci, pois tinha sido as primeiras vezes que tinha
lido e conseguido compreender um enredo. O primeiro título "Na mira do
vampiro" - Coleção VagaLume - e o outro "Pássaro contra vidraça"
que, 15 anos depois, me deparei com o livro na biblioteca da escola onde
trabalho. Gosto muito de ler, perco totalmente a noção de tempo, aquele cansaço
depois de um dia inteiro de trabalho somem diante de textos para estudo, porque
estou cursando pedagogia e este curso, e tenho conseguido ler somente para o
estudo.
Mas também encontro um
tempinho para viajar nas leituras infantis, pois tenho duas princesas em casa,
Branca de Neve e uma Bela Adormecida. Leio para que se acalmem e durmam
tranquilas. A leitura tem esse poder, de acalmar, mudar opiniões, emocionar,
indignar, questionar, ela consegue mexer com nossas emoções, ajuda-nos a sonhar
como as princesas dos contos de fadas, ou sermos heróis para matar um leão por
dia. Enfim, a leitura faz parte do ser humano, é um ato de amor.
Marcia Szilagyi Marinho
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Desde pequeno, via minha mãe com um
livro na mão. Sempre a acompanhava a biblioteca municipal para fazer as trocas
e ela sempre voltava com uns três ou quatro livros que lia durante a semana.
Essa rotina era constante e eu adorava acompanhá-la. Então, desde que eu me
lembre, via o prazer da leitura através da minha mãe. Ainda hoje, às vezes, eu
a levo até lá para devolver e pegar livros. Ela me fez ver que a leitura é
muito importante, prazerosa e sempre traz alguma aprendizagem.
Na escola não me esqueço do livro “A
ilha do tesouro”, pois as aventuras presentes na história fizeram com que eu
embarcasse na leitura. Desde então, nunca mais parei nesta aventura fascinante que
a leitura proporciona.
Hoje tento passar a importância da leitura
para os meus filhos da mesma forma que aconteceu comigo.
Marcelo Bossolan